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4/15/2006
Lundu
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O lundu praticado no século XVIII, em gravura de Rugendas
O lundu ou lundum é um ritmo musical e uma dança brasileira de natureza híbrida, criada a partir dos batuques dos escravos bantos trazidos ao Brasil de Angola e de ritmos portugueses. Da África, o lundu herdou a base rítmica, uma certa malemolência e seu aspecto lascivo, evidenciado pela umbigada, os rebolados e outros gestos que imitam o ato sexual. Da Europa, o lundu, que é considerado por muitos o primeiro ritmo afro-brasileiro, aproveitou características de danças ibéricas, como o estalar dos dedos, e a melodia e a harmonia, além do acompanhamento instrumental do bandolim.
sua entrada nos salões da sociedade colonial. Como gênero de música cantada, a mais antiga menção ao lundu-canção é encontrada nos versos de Caldas Barbosa que, além da modinha brasileira, implantou na Côrte portuguesa a moda do lundu cantado à viola. No segundo volume da coletânea de seus versos (publicados postumamente), seis composições aparecem expressamente citadas como lundus. Ao comentar a supremacia do lundu sobre as danças em voga em Lisboa, diz Caldas Barbosa: "Eu vi correndo hoje o Tejo/Vinha soberbo e vaidoso/Só por ter nas suas margens/O meigo Lundum gostoso/Que lindas voltas que fez/Estendido pela praia/Queria beijar-lhe os pés/Se o Lundum bem conhecera/Quem o havia cá dançar/De gosto mesmo morrera/Sem poder nunca chegar/Ai rum rum/Vence fandangos e gigas/A chulice do Lundum". D. José da Cunha Grã Athayde e Mello, em carta de 1780, afirma ser o lundu dança comum entre brancos e mulatos: "Os pretos, divididos em nações e com instrumentos próprios de cada uma, dançam e fazem voltas como arlequins, e outros dançam com diversos movimentos do corpo, que, ainda que não sejam os mais indecentes, são como os fandangos em Castella e fofas de Portugal, o lundum dos brancos e pardos daquele país." Referências ao lundu são também encontradas nas "Cartas Chilenas" de Tomás Antônio Gonzaga, que começam a circular em Minas Gerais em 1787: Aqui lascivo amante, sem rebuço/À torpe concubina oferta o braço/Ali mancebo ousado assiste e fala/À simples filha que seus pais recatam/A ligeira mulata, em trajes de homem/Dança o quente lundum e o vil batuque. Num próximo passo, de canção solista o lundu transforma-se em música instrumental, ponteado à viola ou ao bandolim, ou executado ao cravo. Um dos mais antigos registros musicais desse tipo de dança encontra-se nas "Canções populares brasileiras e melodias indígenas", recolhidas no Brasil por Martius entre 1817 e 1820. Uma das peças é o "Landum, Brasilianische Volktanz", composição na qual um pequeno motivo, construído sobre as harmonias de tônica e dominante, é executado em forma de variações. O lundu-dança continuou a ser praticado por negros e mestiços enquanto o lundu-canção passou a interessar aos compositores de escola e músicos de teatro, onde era feito para ser dançado e cantado com letras engraçadas e maliciosas. Já em fins do século XIX, esse aspecto foi intensamente explorado por Laurindo Rabelo, o poeta Lagartixa que, acompanhando-se ao violão, depois de determinada hora improvisava com facilidade lundus especiais ouvidos só por homens. Para que se possa vislumbrar o profundo conteúdo e a temática envolvida nas canções, segue o exemplo: O diabo desta chave Que sempre me anda torta/Por mais jeitos que lhe dê/Nunca posso abrir a porta/Tome lá esta chave/Endireite, sinhá..../Voce é quem sabe/O jeito que lhe dá... seguido de outro lundu/Eu possuo uma bengala/Da maior estimação/É feita da melhor cana/E tem o melhor castão/A minha bela caseira/Toda inteira se arrepia/ Quando três vezes por dia/Não dou bengaladas nela/E concluía: Lhe fincando a bengalada!. Como canção, o lundu fez grande sucesso no início do século XX, cantado em circos de todo o Brasil e em casas de chope no Rio de Janeiro. Referências clássicas do gênero são as gravações realizadas para a Casa Edison pelo palhaço Eduardo das Neves, como a dos lundus "Isto é bom", de Xisto Bahia, considerada a primeira obra a ser gravada na história da música popular brasileira, e o "Bolim bolacho", de autor desconhecido.
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SAMBA - TUDO COMEÇOU NO TERREIRO
Foto: Flávia Lacerda |
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É impossível discutir a origem do samba sem cair na polêmica questão do pioneirismo. A quem atribuir? Por onde teria começado? O musicólogo Bernardo Alves tem, inédito, um livro que apresenta uma hipótese muito curiosa: o samba nasceu entre os índios Cariri, do sertão nordestino, evoluindo para o seu formato moderno, a partir do encontro entre o modelo indígena e as danças dos negros da Zona da Mata, tendo como elemento de intersecção a figura do almocreve, vendedor de mercadorias, em lombo de burros, que viajava do sertão ao cais e deste ao sertão. |
Nessa condição já amestiçado, teria o samba migrado da Bahia para o Rio de Janeiro, onde ganharia expressão nova para entrar na história da música brasileira, como sua mais forte vertente.
Há outra hipótese, bastante popularizada em todo o Brasil, que dá como certo ser o samba - uma dança de umbigada - com batuque, introduzida no Brasil pelos negros do Congo e de Angola e que iria desdobrar-se em variedades como: samba de roda, partido alto, samba rural, samba de lenço, samba-enredo, sambão, pagode, sem falar na sua mais jazzística tradução - a bossa nova. Uma coisa é certa. No Brasil, a história do samba seria outra se não fosse a existência de uma comunidade negra, no Rio de Janeiro, mas de origem baiana, que girava em torno de uma famosa yalorixá, Tia Ciata, em cuja casa se reunia a nata dos compositores negros. Aí estavam Sinhô, Donga, Pixinguinha, Heitor dos Prazeres, João da Baiana, entre outros.
DANÇA
O Samba tem por base a batucada, que permite ao passista "dizer o samba no pé", demonstrando, além de graça e sensualidade, também harmonia com o bum - bum-praticumbum da bateria. Veja como descreve a dança do samba o poeta José Honório:
O samba é mais cadência remelexo nas cadeiras sapateado liberto nas ruas e gafieiras e tem mais aceitação entre as danças brasileiras.
MÚSICA
A pesquisadora carioca Marília Trindade afirma que "existe um terreiro de macumba na origem de toda escola de samba", e acrescenta, destacando a importância do batuque: "esses descendentes de escravos, vindos da Bahia ou da área rural do Estado do Rio, só tinham os atabaques para tocar. Por isso, até hoje, o samba de escola é fundamentalmente voz e percussão." Mas o samba não pára por aí, nem vive só de "escola" e batuque. Seria, ao longo de sua história, e continua sendo, enriquecido, em suas muitas variantes, pelo uso de todos os instrumentos antigos e modernos, inclusive a parafernália eletrônica mais atual, e pelo timbre das mais diversas linguagens poéticas e musicais.
ESCOLAS DE SAMBA
Batuque da Mãe África Junte aí uns onze surdos de primeira, onze de segunda e sete de terceira; adicione nove agogôs, alguns apitos, trinta repiques, alguns pandeiros e 43 caixas; acrescente mais 77 tamborins, nove cuícas, 87 chocalhos, quatro reco-recos e treze ganzás. Agite bem e mexa sem parar. O resultado final será uma enorme Escola de Samba.
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Foto: Pio Figueiroa
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O samba, organizado em termos de escola, tem seu ponto de partida nos últimos anos da década de vinte, quando Ismael Silva, em 1928 sugeriu que se batizasse como "escola" o rancho "Deixa Falar", do qual fazia parte. Mas, na verdade, a raiz primeira das chamadas escolas de samba foi mesmo o grupo de negros ligado aos terreiros de candomblé, principalmente o da Tia Ciata.A evolução das escolas de samba, no Rio de Janeiro, é toda uma história, que fica mais longa ainda quando se pensa no seu desdobramento nos vários estados da federação, como São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, para citar apenas três. |
Em Pernambuco, o samba de escolas adquire características próprias, conforme registra o pesquisador Roberto Benjamin, com a incorporação de instrumentos de execução musical e coreografias herdadas do frevo, do maracatu, da capoeira, além de outras expressões. Diz Roberto Benjamin que "as tradições pernambucanas roem por dentro as escolas, agindo nas suas baterias, e nos passistas, preparando um samba autenticamente pernambucano, cuja consagração se aproxima".
Samba e História do Samba História do Samba, Samba na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, Principais tipos de samba, sambistas, grupos de samba, carnaval
Origens do Samba, Significado, História do Samba e Principais Sambistas O samba surgiu da mistura de estilos musicais de origem africana e brasileira. O samba é tocado com instrumentos de percussão ( tambores, surdos timbau) e acompanhados por violão e cavaquinho. Geralmente as letras de sambas contam a vida e o cotidiano de quem mora nas cidades, com destaque para as populações pobres.A termo samba é de origem africana e tem significado ligado à danças típicas tribais do continente. As raízes do samba foram fincadas em solo brasileiro na época do Brasil Colonial, com a chegada da mão-de-obra escrava em nosso país. O primeiro samba gravado no Brasil foi Pelo Telefone, no ano de 1917, cantado por Bahiano. A letra deste samba foi escrita por Mauro de Almeida e Donga . Tempos depois, o samba toma as ruas e espalha-se pelos carnavais do Brasil. Neste período, os principais sambistas são: Sinhô Ismael Silva e Heitor dos Prazeres . Na década de 1930, as estações de rádio, em plena difusão pelo Brasil, passam a tocar os sambas para os lares. Os grandes sambistas e compositores desta época são: Noel Rosa autor de Conversa de Botequim; Cartola de As Rosas Não Falam; Dorival Caymmi de O Que É Que a Baiana Tem?; Ary Barroso, de Aquarela do Brasil; e Adoniran Barbosa, de Trem das Onze. Na década de 1970 e 1980, começa a surgir uma nova geração de sambistas. Podemos destacar: Paulinho da Viola, Jorge Aragão, João Nogueira, Beth Carvalho, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Chico Buarque, João Bosco e Aldir Blanc. Outros importantes sambistas de todos os tempos: Pixinguinha, Ataulfo Alves, Carmem Miranda (sucesso no Brasil e nos EUA), Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho, Lupicínio Rodrigues, Aracy de Almeida, Demônios da Garoa, Isaura Garcia, Candeia, Elis Regina, Nelson Sargento, Clara Nunes, Wilson Moreira, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Lamartine Babo.
Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo Os tipos de samba mais conhecidos e que fazem mais sucesso são os da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo. O samba baiano é influenciado pelo lundu e maxixe, com letras simples, balanço rápido e ritmo repetitivo. A lambada, por exemplo, é neste estilo, pois tem origem no maxixe. No Rio de Janeiro, o samba está ligado à vida nos morros e transforma-se no samba-de-roda. As letras falam da vida urbana, dos trabalhadores e das dificuldades da vida de uma forma amena e muitas vezes com humor. Entre os paulistas, o samba ganha uma conotação de mistura de raças. Com influência italiana, as letras são mais elaboradas e o sotaque dos bairros de trabalhadores ganha espaço no estilo do samba de São Paulo.
Principais tipos de samba:
Samba-enredo Surge no Rio de Janeiro durante a década de 1930. O tema está ligado ao assunto que a escola de samba escolhe para o ano do desfile. Geralmente segue temas sociais ou culturais. Ele que define toda a coreografia e cenografia utilizada no desfile da escola de samba.
Samba de partido alto Com letras improvisadas, falam sobre a realidade dos morros e das regiões mais carentes. É o estilo dos grandes mestres do samba. Os compositores de partido alto mais conhecidos são: Moreira da Silva, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho.
Pagode Nasceu em São Paulo na década de 1980 e ganhou as rádios e pistas de dança na década seguinte. Tem um ritmo repetitivo e utiliza instrumentos de percussão e sons eletrônicos. Espalhou-se rapidamente pelo Brasil, graças às letras simples e românticas. Em alguns grupos o apelo erótico estava presente. Os principais grupos são : Fundo de Quintal, Negritude Jr., Só Pra Contrariar, Raça Negra e Katinguelê, Molejo, É o tchan, Patrulha do Samba, Pique Novo, Travessos, Art Popular.
Samba-canção Surge na década de 1920, com ritmos lentos e letras sentimentais e românticas. Exemplo: Ai, Ioiô (1929), de Luís Peixoto.
Samba carnavalesco Marchinhas e Sambas feitas para dançar e cantar nos bailes carnavalescos. exemplos : Abre alas, Apaga a vela, Aurora, Balancê, Cabeleira do Zezé, Bandeira Branca, Chiquita Bacana, Colombina, Cidade Maravilhosa entre outras.
Samba-exaltação Com letras patrióticas e ressaltando as maravilhas do Brasil, com acompanhamento de orquestra. Exemplo: Aquarela do Brasil, de Ary Barroso gravada em 1939 por Francisco Alves.
Samba de breque Este estilo tem momentos de paradas rápidas, onde o cantor pode incluir comentários, muitos deles em tom crítico ou humorístico. Um dos mestres deste estilo é Moreira da Silva .
Samba de gafieira Foi criado na década de 1940 e tem acompanhamento de orquestra. Rápido e muito forte na parte instrumental, é muito usado nas danças de salão.
Sambalanço Surgiu na década de 1950 em boates de São Paulo e Rio de Janeiro. Recebeu uma grande influência do jazz.. Um dos mais significativos representantes do sambalanço é Jorge Ben Jor, que mistura também elementos de outros estilos.
História da África Cultura africana, povos, história, bérberes, bantos, Império de Gana
Bérberes : os nômades do deserto
Nas escolas e nos livros, costumamos estudar apenas a história de um povo africano : os egípcios. Porém, na mesma época em que o povo egípcio desenvolvia sua civilização, outros povos africanos faziam sua história. Conheceremos abaixo alguns destes povos e suas principais características culturais.
O povo Bérbere
Os bérberes eram povos nômades do deserto do Saara. Este povo enfrentava as tempestades de areia e a falta de água, para atravessar com suas caravanas este território, fazendo comércio. Costumavam comercializar diversos produtos, tais como : objetos de ouro e cobre, sal, artesanato, temperos, vidro, plumas, pedras preciosas etc. Costumavam parar nos oásis para obter água, sombra e descansar. Utilizavam o camelo como principal meio de transporte, graças a resistência deste animal e de sua adaptação ao meio desértico. Durante as viagens, os bérberes levavam e traziam informações e aspectos culturais. Logo, eles foram de extrema importância para a troca cultural que ocorreu no norte do continente.
Os bantos
Este povo habitava o noroeste do continente, onde atualmente são os países Nigéria, Mali, Mauritânia e Camarões. Ao contrário dos bérberes, os bantos eram agricultores. Viviam também da caça e da pesca. Conheciam a metalurgia, fato que deu grande vantagem a este povo na conquista de povos vizinhos. Chegaram a formar um grande reino ( reino do Congo ) que dominava grande parte do noroeste do continente. Viviam em aldeias que era comandada por um chefe. O rei banto, também conhecido como manicongo, cobrava impostos em forma de mercadorias e alimentos de todas as tribos que formavam seu reino. O manicongo gastava parte do que arrecadava com os impostos para manter um exército particular, que garantia sua proteção, e funcionários reais. Os habitantes do reino acreditavam que o maniconco possuía poderes sagrados e que influenciava nas colheitas, guerras e saúde do povo.
Os soninkés e o Império de Gana
Os soninkés habitavam a região ao sul do deserto do Saara. Este povo estava organizado em tribos que constituíam um grande império. Este império era comandado por reis conhecidos como caia-maga. Viviam da criação de animais, da agricultura e da pesca. Habitavam uma região com grandes reservas de ouro. Extraíam o ouro para trocar por outros produtos com os povos do deserto (bérberes). A região de Gana, tornou-se com o tempo, uma área de intenso comércio. Os habitantes do império deviam pagar impostos para a nobreza, que era formada pelo caia-maga, seus parentes e amigos. Um exército poderoso fazia a proteção das terras e do comércio que era praticado na região. Além de pagar impostos, as aldeias deviam contribuir com soldados e lavradores, que trabalhavam nas terras da nobreza.
Origem do Samba
O samba é uma dança animada com um ritmo forte e característico. Originou da África e foi levado para a Bahia pelos escravos enviados para trabalhar nas plantações de açucar. A dança gradualmente perdeu sua natureza ritualista e eventualmente se tornou a dança nacional brasileira. Na época de carnaval no Rio de Janeiro que colocou o samba no mapa ocidental, os baianos das plantações de açucar viajavam das aldeias até o Rio para as festas anuais. Gradualmente a batida sutil e a nuança interpretativa do samba levavam-nos rua acima dançando nos cafés e eventualmente até nos salões de baile, tornou-se a alma dança do Brasil. Originalmente a dança teve movimentos de mão muito carcterístico, derivados de sua função ritualista, quando eram segurados pequenos recipientes de ervas aromáticas em cada uma das mãos e eram aproximadas do nariz do dançarino cuja fragância excitava. Havia muito trabalho de solo e antes de se tornar uma dança de salão, teve passos incorporados do maxixe. Os grandes dançarinos americanos, Irene e Castelo de Vernou, usou o samba nas suas rotinas profissionais, e assim começou a se espalhar. Mas provavelmente foi Carmem Miranda, a brasileira mais conhecida de todos, que com tremenda vitalidade e perícia de atriz, colocou o samba como o mais excitante e contagiante do mundo. No Brasil o desfile das escolas de samba, cresceu e o País desenvolveu seu próprio ballet artístico com ritmo de samba e movimentos básicos.
HISTÓRIA
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A história do Pelourinho se confunde, em muito, com a história da própria cidade de Salvador, que Tomé de Souza, primeiro Governador Geral do Brasil, fundou em 1549, vindo com ordens expressas do rei de Portugal para construir uma "cidade fortaleza".
Feita em caráter de urgência e preocupação, essa medida do Rei de Portugal, D. João III, atendia à necessidade de defesa da nossa terra, constantemente invadida por corsários que vinham retirar, com a ajuda indígena, as riquezas naturais da então colônia portuguesa, principalmente o pau-brasil e a cana de açúcar.
Salvador foi escolhida como sede de governo devido à excelente localização geográfica e estratégica posição econômica, como principal porto de carga e descarga de mercadorias de todo o Nordeste.
Logo que chegou aqui, Tomé de Souza tratou de cumprir as ordens do rei, fundando a cidade cujo nome homenageia Jesus Cristo - o Salvador, no melhor ponto para a construção da "cidade fortaleza", o hoje chamado Pelourinho, local ideal de suas pretensões.
As razões que levaram a escolha do Pelourinho são bastante claras. É a parte mais alta da cidade, em frente ao porto, perto do comércio e naturalmente fortificada pela grande depressão existente que forma uma muralha, de quase noventa metros de altura, por quinze quilômetros de extensão, o que facilitaria a defesa de qualquer ameaça vinda do mar.
Em poucos anos, Tomé de Souza construiu uma série de casarões e sobrados, na parte superior dessa muralha, todas inspiradas, evidentemente, na arquitetura barroca portuguesa e erguidos com mão de obra escrava negra e indígena. Para dar maior proteção à cidade, o Governador Geral limitou o acesso a apenas quatro portões, estes totalmente destruídos durante as tentativas sem sucesso, de dominação da cidade no séc. XVII.
Na verdade, o termo "pelourinho" é o nome dado ao local onde os escravos eram castigados pelos senhores de engenho. O "pelourinho" era construído nos engenhos, afastado da cidade. A fim de demostrar à população sua força e poder, os senhores de engenho resolveram construir um "pelourinho" no centro da cidade, instalando-o no largo central, hoje área localizada em frente a casa de Jorge Amado. A partir daí os escravos eram castigados em praça pública para que todos pudessem assistir tal demonstração de poder. Devido a esse fato o "pelourinho" virou ponto de referência da cidade, dando nome ao antigo centro da cidade, e hoje Centro Histórico de Salvador.
Com o passar dos tempos, o nome Pelourinho se popularizou, tanto na Bahia quanto no Exterior, passando a referir-se a toda a área do conjunto arquitetônico barroco-português compreendida entre o Terreiro de Jesus e a Igreja do Passo.
Durante o séc. XVI e até o início do séc. XX, o Pelourinho foi o bairro da aristocracia soteropolitana, composta de senhores de engenho, políticos, grandes comerciantes e o clero, por isso a forte influência européia na sua arquitetura e o grande número de igrejas num espaço geográfico tão pequeno e, certamente, o mais antigo da cidade.
Foi justamente nessa época que o poder político da cidade concentrava-se nesse local que ainda tem monumentos como a Câmara Municipal, sede da Prefeitura, a Assembléia Legislativa e a sede do Governo do Estado. Porém, hoje em dia, apenas a Câmara e a Prefeitura continuam com suas sedes no Centro Histórico.
Infelizmente, a partir da década de 60, o Pelourinho começou a sofrer um terrível processo de degradação política, social e econômica, pois a cidade sofria um intenso processo de modernização econômica que transformou sensivelmente a sua estrutura ganhando novos centros comerciais e industriais, e novos bairros geográficos.
O Pelourinho foi se tornando um local totalmente abandonando, onde a marginalidade e a prostituição imperavam, junto a monumentos em ruína e desabamentos, ocupados por pessoas exiladas do novo centro da cidade. Esse descaso adiou o reconhecimento do Pelourinho, como patrimônio da humanidade, porém reconhecido pela UNESCO, em 5 de novembro de 1985. |
Samba de Gafieira
INTRODUÇÃO
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Os professores Andrei e Cris
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Existem muitas opiniões diferentes entre pesquisadores sobre o origem do samba, porém a maioria concorda que as raízes vêm da mistura de influências africana e européia. Concordam, também, que a denominação genérica de batuque era dada para a dança e o ritmo com que os africanos mostravam a sua cultura. O batuque foi o principal tronco da manifestação musical popular no Brasil e dele surgiram diversos ramos e tendências que se espalharam por todo o território nacional (tanto em áreas urbanas quanto rurais) sob diversos nomes, ganharam estilos próprios e instrumentos de sons diferentes.
É importante salientar que o batuque era uma dança de roda, não se caracterizando ainda como dança de salão.
OS REGISTROS OFICIAIS DO SAMBA
- Origem da palavra samba => semba => umbigada (dialeto luanda)
Os primeiros registros da palavra apareceram no nordeste em um texto impresso no começo do século XIX por um padre chamado Lopes Gama.
- A primeira música
Oficialmente foi em 1917 com a gravação de Pelo Telefone da dupla Donga/Mauro de Almeida. Alguns analisam que essa música possui características fortes que lembram muito o ritmo maxixe e, que portanto, não é samba. Há outras versões que dizem existir outras gravações de samba que datam entre 1912 e 1914.
- Algumas ramificações do samba
a) samba como tipo de dança: samba de gafieira, samba no pé (samba de carnaval), samba rock, pagode ...
b) samba como tipo de música: samba de breque, samba canção, samba enredo, bossa nova, partido alto, samba reggae, samba funk ...
COMO FOI SURGINDO O SAMBA
Nos séculos XVII e XVIII dois tipos de ritmos de influência estrangeira se firmam como sustentáculos da música brasileira: o lundu, de origem africana com base no batuque e a modinha de origem portuguesa. Para alguns o lundu é o precursor do maxixe - um dos primeiros ritmos da dança de salão brasileira. Outros acham que a polca (dança de salão da Boêmia que tornou-se mania no Rio de Janeiro no século XIX) e a habanera (dança cubana) exerceram grande influência para a formação do maxixe. Nessa época, também surgia o choro, gênero de interpretação musical carioca. O maxixe era dançado em gafieiras e cabarés e não era bem visto pela sociedade, pois não atendia à moral e aos bons costumes da época. Nesses recintos os homens de status buscavam diversão com mulheres de classes inferiores ou meretrizes. Era uma dança coreograficamente difícil de ser bem dançada, exigindo dos dançarinos um bom preparo físico. Por causa dos seus requebros, dava aos estrangeiros a impressão de sensualidade. Na década de 30 desse século, o maxixe foi transformando-se ou cedendo lugar para um novo estilo de dança: o samba. É válido lembrar que o samba como ritmo expresso através de instrumentos musicais, surgiu antes da dança e pode ter firmado as suas características principais com a evolução da indústria fonográfica. Nessa época o ambiente da música popular brasileira era um aglomerado de influências. O Rio de Janeiro, sendo a capital do Brasil, era a cidade que ditava a moda no país. Recebia muitos migrantes baianos, que tiveram participação importante na formação do que futuramente chamaríamos de samba de carnaval. Nos casarões em que algumas tias baianas moravam eram dadas festas que chegavam a durar uma semana, onde comiam-se pratos típicos, tocava-se e dançava-se choro (na sala da frente) e samba (no quintal), pois este era mal visto pela polícia. O samba de gafieira firmou-se na década de 40 no Rio de Janeiro como dança de salão, mas continua evoluindo até hoje, absorvendo influências das mais diversas danças. Aos salões paulistanos, o samba de gafieira começou a ser introduzido na década de 90, principalmente, com a vinda do coreógrafo João Carlos Ramos e outros dançarinos cariocas. Vale acrescentar que existem diferenças de estilo entre as escolas. Um fenômeno interessante é que apesar do samba de gafieira estar cada vez mais sendo dançado em São Paulo, o público é exclusivamente de pessoas ligadas à dança de salão, diferentemente das febres que agitaram a cidade, como o pagode e o forró, que ficaram populares entre outras tribos - adolescentes e freqüentadores de danceterias convencionais. "Foi possivelmente na década de 80 que o samba de gafieira começou a perder a sua forma original de se dançar, pois nota-se a inclusão de diversos passos de tango a partir daí, como as sacadas batizadas de pernadas no samba", observa o coreógrafo João Carlos Ramos. Sabe-se, ainda, que na década de 30 a presença de argentinos - que dançam tango - era marcante nos portos do Rio de Janeiro, agora o quanto isso foi influenciar na formação do samba de gafieira, não saberíamos explicar. Em uma das viagens à Buenos Aires os professores Andrei e Cris observaram que um dos passos da milonga lembra muito o nosso puladinho da gafieira. O oposto também pode acontecer. Um exemplo ocorreu recentemente com o dançarino Júnior que adaptou ao tango alguns passos da gafieira. Conclui-se que a dança de salão é uma manifestação popular, portanto as alterações ou transformações vão ocorrendo naturalmente nos salões de baile, conforme a região e a época. Um professor ou uma escola não podem ter a presunção de dizer que a dança ensinada em uma escola séria está errada e que a dele é melhor ou a mais correta. Simplesmente, os estilos são diferentes.
O assunto acima é extremamente amplo para ser inserido na presente edição do jornal e também estaríamos fugindo da proposta inicial de apenas manter os nossos alunos e amigos informados de maneira objetiva. Se você quiser saber mais detalhes sobre o samba recomendamos a consulta da Enciclopédia Britânica Mirador, a coleção História do Samba da editora Globo e acessar as diversas páginas na Internet.
CDs para dançar samba
“Caçadores de Pipa”
“lIhas
Ilhas
Ilhas onde nunca se chegará á terra
IIhas onde nunca se descerá
Ilhas escondidas como jaguares
Ilhas mudas
Ilhas imóveis
Ilhas inesquecíveis e sem nome
Lanço meus pés ao mar, pois gostaria muito de ir até vós.”
No coração do mundo
Blaise Cendrars
“O samba é mais cadência remelexo nas cadeiras sapateado liberto nas ruas e gafieiras e tem mais aceitação entre as danças brasileiras”.
José Honório
“Caçadores de Pipa” pretende ser um trabalho voltado à diáspora do NEGRO no Brasil, e daí achar a trilha do samba. Queremos investigar as vertentes do samba e suas influencias no corpo do brasileiro. Um corpo que singulariza um povo, que marca de forma cadenciada uma cultura!
Vimos de uma trilogia a cerca do “corpo no ritual”, investigação essa que nos deixou resquícios e caminhos ainda a serem percorridos e que só agora nos sentimos prontos pro mergulho.
A pesquisadora carioca Marília Trindade afirma que "existe um terreiro de macumba na origem de toda escola de samba", e acrescenta, destacando a importância do batuque: "esses descendentes de escravos, vindos da Bahia ou da área rural do Estado do Rio, só tinham os atabaques para tocar. Por isso, até hoje, o samba de escola é fundamentalmente voz e percussão”. Mas o samba não pára por aí, nem vive só de "escola" e batuque. Seria, ao longo de sua história, e continua sendo, enriquecido, em suas muitas variantes, pelo uso de todos os instrumentos antigos e modernos, inclusive a parafernália eletrônica mais atual, e pelo timbre das mais diversas linguagens poéticas e musicais.
Pensamos que experiências em certo sentido são impossíveis de transmitir, e acontecimentos incapazes de criar memórias a quem não os sofreu, então vamos vivê-las!
Desejamos a compreensão de um corpo em contato com sua ancestralidade, que busque no aprisionamento da alma, um corpo definidor de um “eu” e se veja como inteiro: “o corpo deixa de estar subordinado ao espírito que almeja a transcendência pela cultura para tornar-se integrante ativo do mundo, agente imanente do concreto”.
Acreditamos na compreensão desse território que chamaremos ou ilustraremos como “eu” através do corpo, porque nele está o ponto de vista, a perspectiva. Achamos ainda que, a apreciação do mundo depende da posição que se assume e do corpo que se possui naquele tempo espaço e situação.
Sabendo que corpos não servem apenas para cultuar, mas, sobretudo para pensar, guardar, mapear o tempo e o lugar, contar as histórias das gerações, trazer pra cultura de hoje o que essa cultura foi antes, e até pensar que caminhos ela poderia traçar no futuro, nós da Cia. Vatá, pretendemos agora pensar o corpo, sua materialidade, similaridades e diferenças segundo uma trilha percorrida pelo Negro e que nos levou a um corpo que “samba”. Como nosso corpo, em contato com essa camada ancestral que hora nos propusemos a buscar, reage à memória nele aprisionada, que influências lhes foram impressas?
Tomaremos como referência ancestral os “Kariris”, índios que ocuparam o sertão do Ceará no começo dos tempos e que acreditamos antecederam nossa trajetória corporal. Uma parte da história acredita e aponta a trajetória dos índios Kariris como um possível nascedouro do samba no Brasil. Essa é somente uma das inúmeras vertentes do nascedouro do samba.
Nós temos requisitos, provindos da pesquisa anterior a cerca desses índios Kariris, que nos fazem crer, ser essa a vertente da história que queremos mergulhar.
Vamos explorar cada pedaço da história desses ancestrais, vamos in loco, conviver e dividir nossas experiências com os descendentes mais próximos desses nossos antecessores. E depois de vivida essa experiência, como nosso corpo reagirá ao que nele foi impresso?
Acreditamos que as respostas a esse turbilhão de perguntas, que hoje fazemos, estarão no contato desse corpo com sua memória recente e ancestral por ele aprisionada ao longo da trajetória.
E vamos nós, experimentar, mergulhar de cabeça nesse universo, com a certeza de que o nosso mapeamento de identidades estará ampliando-se e a nossa singularidade cada vez mais plural.
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SAMBA - TUDO COMEÇOU NO TERREIRO
Foto: Flávia Lacerda |
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É impossível discutir a origem do samba sem cair na polêmica questão do pioneirismo. A quem atribuir? Por onde teria começado? O musicólogo Bernardo Alves tem, inédito, um livro que apresenta uma hipótese muito curiosa: o samba nasceu entre os índios Cariri, do sertão nordestino, evoluindo para o seu formato moderno, a partir do encontro entre o modelo indígena e as danças dos negros da Zona da Mata, tendo como elemento de intersecção a figura do almocreve, vendedor de mercadorias, em lombo de burros, que viajava do sertão ao cais e deste ao sertão. |
Nessa condição já amestiçado, teria o samba migrado da Bahia para o Rio de Janeiro, onde ganharia expressão nova para entrar na história da música brasileira, como sua mais forte vertente.
Há outra hipótese, bastante popularizada em todo o Brasil, que dá como certo ser o samba - uma dança de umbigada - com batuque, introduzida no Brasil pelos negros do Congo e de Angola e que iria desdobrar-se em variedades como: samba de roda, partido alto, samba rural, samba de lenço, samba-enredo, sambão, pagode, sem falar na sua mais jazzística tradução - a bossa nova. Uma coisa é certa. No Brasil, a história do samba seria outra se não fosse a existência de uma comunidade negra, no Rio de Janeiro, mas de origem baiana, que girava em torno de uma famosa yalorixá, Tia Ciata, em cuja casa se reunia a nata dos compositores negros. Aí estavam Sinhô, Donga, Pixinguinha, Heitor dos Prazeres, João da Baiana, entre outros.
É nesse viés da história que pretendemos mergulhar, já viemos de pesquisas anteriores em que nos deparamos com parte dessa história, e tivemos que seguir por outras vertentes em busca daquele objetivo. Agora a Cia. Vatá está pronta pra esse mergulho, que promete ser gratificante e instigador.
Convidamos vocês pra mergulharem conosco nesse mar de Brasis!
Valéria Pinheiro
“Existem corpos que não descrevem, mas inscrevem nos
seus movimentos a transcendência na imanência de cada gesto.
Esses corpos rasgam os lugares, [...]. São eles mesmos lugares onde a convocação
de sentido se faz em equilíbrio precário. Um corpo, refletindo-se no exterior de si mesmo, une-se internamente a um universo onde o medo inaugura territórios em que o tempo se desalinha”
Eugênia Vilela
2 – Proposta artística:
“Possui verdadeira música em si só aquele que compõe uma sinfonia afinando a harmonia do corpo com aquela da alma”
Platão, Timeo, IX, 591 d.
Apresentamos "Caçadores de Pipa”, espetáculo que pretende mergulhar na história do samba e fazer pontes com as manifestações e ritmos da tradição nordestina que parecem compor a história e trajetória do samba, cujo nascedouro está na África negra. Ritmos como: como o côco, o batuque e tantos outros serão nossas trilhas de investigação até chegar no samba de raiz.
O desejo primordial é de desenvolver uma pesquisa de linguagem estética que coloque o corpo e todas as suas atribuições em questão, não só do que se constitui, mas que significações são dadas a ele e como ele produz e sofre modificações de seu produto: a cultura.
Desse mote tiraremos a cultura do corpo brasileiro, o corpo que se mexe no Rio de Janeiro, no sertão do Pernambuco, nas ladeiras da Baixa do Sapateiro em Salvador, que influências os ritmos que originaram o samba imprimiram nesse corpo?
"O Corpo no Ritual", esse tem sido nosso foco de pesquisa nos últimos anos. Nesse universo vasto, tomamos como recorte o corpo no ritual do Candomblé, Santeria e Xamanismo que originaram o nosso segundo espetáculo da trilogia: “Bagaceira, a dança dos Orixás", e mais recentemente apresentamos o terceiro espetáculo dessa trilogia: “Bagaceira, a dança dos Ancestrais”, que retratou nosso mergulho dentro do universo dos índios Kariris.
Em “Caçadores de Pipa” queremos abordar o corpo no ritual dos ritmos angolanos, que chegaram ao Brasil com os negros africanos no começo de nossa história, aqui encontraram o povo nativo, entre eles os índios Kariris e mais tarde, dessa fusão parece ter nascido o ritmo que define o Brasil no mundo: o Samba _ Semba!
Aqui abordaremos a relação entre a influência da modernidade na construção dos instrumentos que ao serem fabricados e transformados a partir dos originais, também trouxeram transformações ao samba de raiz, embora saibamos ainda existir uma carga de tradição presente nesse universo. Vamos recortar as influências dessas matrizes corporais que compõem esses homens “senhores do samba”, “os malandros”, “as cadeiras sensuais ladeira acima ou abaixo”, e vamos experimentá-las em nossos corpos urbanos, corpos estes, mergulhados nas informações que a contemporaneidade e a velocidade cotidiana das informações lhes imprimem.
É nesse mote que pretendemos mergulhar. E de forma poética e romântica, abordaremos esse corpo na sua mais pura forma de movimentação, com a sua relação mais próxima do “humano”, aqui traçaremos pontes com as ferramentas e técnicas que já vêm sendo abordadas pela Cia. Vatá nesses últimos anos: o sapateado e as matrizes de corpos das danças tradicionais brasileiras, em especial a nordestina.
“Caçadores de Pipa” pretende ser um musical onde o corpo assume vários devires, tendo como principal objetivo, grafar o espaço no tempo atual com referências à nossa ancestralidade, fazendo disso uma cartografia de identidades que nos auxiliará a conhecer cada vez mais o território ao qual pertencemos e nos dará subsídios pra entender ainda melhor o universo do qual fazemos parte.
O processo desse espetáculo pretende ser muito rico para a Cia. Vatá. Iniciaremos nossa pesquisa em Salvador berço de entrada do “semba”, e seguiremos a trilha percorrida nessa diáspora do negro africano no Brasil.
A decodificação e entendimento dos signos a serem experimentados por nós, quando da vivência in loco, nos levará a criar uma técnica e desenvolver um corpo ágil e preciso, pronto pra assumir de forma híbrida, devires múltiplos: voz, movimento, interpretação, e ritmo. Afinal o “corpo” que entendemos ser originário e mais próximo dessa influência do samba, são os corpos sensuais, ágeis e multifacetados dos brasileiros_ Nossos corpos!
Esse espetáculo, produto final dessa pesquisa pretendida, é o que queremos dividir com o Ceará, Brasil e mundo, através de nossa alegria e felicidade em poder homenagear através dessa obra, um dos principais símbolos brasileiros que por muitas vezes, por dificuldades geográficas ou de memória, nos são tão difíceis vivênciar.
E viva a força do samba no Brasil!
Valéria Pinheiro
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